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Revisão do trust: os documentos e as perguntas que tornam a análise objetiva

Revisão de trust: documentos a levar, lista atual de bens e perguntas sobre beneficiários e distribuições que mostram se o trust ainda cumpre o objetivo.

Por Cristina Teixeira, CPA, TEP, CRC

Publicado em

Documentos organizados em pilhas numeradas sobre uma mesa, com uma prancheta e uma caneta ao lado

Uma revisão de trust começa por quatro itens: a escritura com todas as emendas, a lista atual de bens dentro do trust, os beneficiários com o país onde cada um mora e o histórico de distribuições. Com eles na mesa, dá para dizer se o trust ainda cumpre o objetivo e o que ajustar.

Este texto lista os documentos e as perguntas que tornam a análise objetiva.

Atualizado em outubro de 2026.


Por que a revisão precisa de documentos, e não de memória

A revisão precisa de documentos porque o trust vale pelo que está escrito. A família lembra do que combinou na assinatura, e o trustee age pelo que consta na escritura. Quando as duas versões divergem, vale a do papel.

Quem chega à primeira conversa só com a lembrança do que foi feito gasta o encontro reconstruindo o básico. Quem chega com a pasta organizada usa o tempo para decidir. Há uma diferença grande entre saber que existe um trust e saber o que ele diz hoje.

O guia de sucessão internacional, trust e testamento apresenta o trust entre as ferramentas. Se você ainda avalia se chegou a hora de revisar, o artigo sobre quando o trust precisa ser revisto trata dos eventos que disparam a revisão. Aqui a decisão já foi tomada.


Quais documentos reunir antes da revisão?

Reúna estes cinco grupos de documentos, cada um com a data em que foi assinado ou emitido:

  1. A escritura do trust (trust agreement) e todas as emendas, inclusive as que parecem menores.
  2. A carta de desejos (letter of wishes), se existir, e qualquer instrução escrita ao trustee.
  3. A lista atual de bens e direitos dentro do trust, com valor e país de cada um, e a data do último extrato.
  4. A relação dos beneficiários, com país de residência e, quando houver, o país de nacionalidade de cada um.
  5. O histórico de distribuições: quem recebeu, quanto, quando e a que título.

Dois itens costumam faltar e atrasar a análise: as emendas, que podem ter ficado só com o advogado que as redigiu, e as instruções dadas ao trustee por telefone ou conversa. Se houve instrução verbal, anote-a, porque a escritura pode não refleti-la.


Que perguntas a revisão precisa responder?

A revisão precisa responder seis perguntas, e cada uma aponta para um documento. A tabela organiza a leitura.

Pergunta Por que importa Onde está a resposta
O trust é revogável ou irrevogável? Define quem pode alterá-lo e como Escritura e emendas
Quem é o instituidor, o trustee e o protetor hoje? Papéis mudam com morte, renúncia e substituição Escritura, atas e comunicações
Os beneficiários continuam os mesmos e onde moram? Residência muda tributação e reporte Relação de beneficiários
Os bens dentro do trust são os que se imagina? Bens vendidos, comprados ou esquecidos Lista de bens e extratos
As distribuições seguiram a escritura? Desvios podem indicar necessidade de ajuste Histórico de distribuições
O objetivo original ainda faz sentido? A família pode ter mudado de rumo Carta de desejos e conversa com a família

A última pergunta é a que mais surpreende. Um trust pode estar formalmente correto e já não atender ao que a família quer.


O que os dois países pedem de quem tem um trust

Quem tem um trust costuma ter obrigações de informação nos dois países, e a revisão é a hora de conferi-las. O que segue é um mapa, e não a análise do seu caso.

No Brasil, o art. 10 da Lei 14.754/2023 (consulta em 9 de outubro de 2026) trata os bens do trust no exterior como sob a titularidade do instituidor até a distribuição ou a morte dele. O § 5º manda o instituidor ou o beneficiário requisitar ao trustee os recursos financeiros e as informações necessárias para pagar o imposto e cumprir as demais obrigações no País. Na revisão, isso vira um pedido de extratos e relatórios dos bens. Já a página do CBE, do Banco Central (consulta em 9 de outubro de 2026), informa que quem reside no Brasil e tem ativos no exterior que somem US$ 1.000.000 em 31 de dezembro declara anualmente. A lista de bens do trust ajuda a ver se esse limite é alcançado.

Nos Estados Unidos, a página do IRS sobre o Form 3520 (consulta em 9 de outubro de 2026) informa que o formulário serve, entre outras coisas, para reportar certas transações com trusts estrangeiros e a propriedade deles. E a classificação do IRS (consulta em 9 de outubro de 2026) trata como pessoa americana o trust que cumpre dois requisitos: um tribunal dos EUA consegue exercer a supervisão principal, e pessoas americanas têm autoridade para controlar todas as decisões substanciais. Saber quem é o trustee e onde o trust é administrado ajuda a ver se isso se aplica.

Os artigos sobre trust e reporte no Brasil e nos EUA e sobre Form 3520 e 3520-A detalham as obrigações.


Como ler as respostas

Com os documentos e as respostas na mesa, a leitura separa o que está certo do que pede ajuste. Três resultados são comuns:

  • o trust segue adequado e só precisa de uma atualização de dados, como endereço ou contato;
  • o trust funciona, mas tem uma cláusula que não combina mais com a família e pode ser emendada, se o tipo de trust permitir;
  • o trust perdeu o sentido original e a conversa passa a ser sobre alterá-lo ou criar outro.

No terceiro caso, o passo seguinte é comparar os caminhos disponíveis, e o que a escritura permite vem primeiro.

"Uma boa revisão termina em uma página: o que está certo, o que muda e o que depende de uma decisão da família. Sem os documentos, ela não chega a essa página", observa Cristina Teixeira, CPA e TEP, cofundadora da Astride. (citação proposta, aguardando aprovação)


O que muda de caso para caso

Algumas variáveis alteram o que a revisão precisa cobrir:

  • o país cuja lei rege o trust e o país onde o trustee está sediado;
  • a presença de beneficiários residentes em mais de um país;
  • trust que detém empresa, imóvel ou conta em outro país;
  • trust criado antes da Lei 14.754/2023 e nunca relido depois dela;
  • falecimento do instituidor ou de algum beneficiário desde a assinatura.

Um trust antigo pode ter feito distribuições que ninguém classificou, nem no Brasil nem nos EUA. A revisão levanta esse histórico antes de propor qualquer ajuste, porque ele mostra o que ainda precisa ser regularizado.


Como a Astride atua

A Astride revisa o trust e propõe os ajustes. O trabalho vai da escritura e das emendas à lista de bens e aos beneficiários, e fecha com a leitura dos reflexos nos dois países.

Se a revisão aponta uma emenda, a Astride a elabora. Se aponta um novo trust, ela o confecciona. Nos dois casos, a conversa parte dos documentos que você levar, e não de um modelo pronto.


Perguntas frequentes

Quais documentos levar para revisar um trust?

A escritura com todas as emendas, a carta de desejos, a lista atual de bens com os últimos extratos, a relação dos beneficiários com o país de cada um e o histórico de distribuições. Leve também o contato do trustee e do advogado que redigiu o trust.

Com que frequência revisar um trust?

Não há prazo legal. Um ciclo fixo, somado a gatilhos como casamento, divórcio, nascimento, morte ou mudança de país, evita que o trust envelheça sem ninguém perceber.

O trustee é obrigado a fornecer informações sobre o trust?

Para fins brasileiros, o § 5º do art. 10 da Lei 14.754/2023 diz que o instituidor ou o beneficiário deve requisitar ao trustee as informações e os recursos necessários ao cumprimento das obrigações no País. A resposta do trustee depende da escritura e da lei que a rege.

Trust antigo precisa de revisão por causa da Lei 14.754/2023?

Pode precisar. A lei tratou o trust no exterior e previu, no § 6º do art. 10, a alteração das escrituras existentes. Se o seu trust é anterior à lei e nunca foi relido depois dela, vale conferir se a escritura e a rotina de informações estão em ordem.

Revisar o trust significa necessariamente alterá-lo?

Não. Muitas revisões terminam confirmando que o trust segue adequado, com pequenas atualizações de dados. A decisão de alterar vem depois da leitura.

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Conclusão

A revisão do trust fica objetiva quando começa pelos documentos: escritura e emendas, lista atual de bens, beneficiários com o país de cada um e histórico de distribuições. As seis perguntas mostram o que está certo, o que pede ajuste e o que depende de decisão da família.

Se você já decidiu revisar, o próximo passo é uma conversa com quem enxerga Brasil e Estados Unidos em conjunto. Fale com o time da Astride e leve a escritura e as emendas do trust, a lista de bens e o país onde mora cada beneficiário: é o suficiente para começar.

Conteúdo educativo. Cada situação requer análise individual.

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