Primeira declaração nos EUA: o que levar ao profissional para ela sair certa
Primeira declaração nos EUA: veja o que levar ao profissional, de datas de entrada e visto a W-2, 1099 e rendas no Brasil, para o status do ano sair certo.
Por Cristina Teixeira, CPA, TEP, CRC
Publicado em

Para a primeira declaração, o profissional precisa de seis conjuntos de informação: datas de entrada e saída dos EUA, o visto, os formulários de renda americanos (W-2 e 1099), as rendas e contas no Brasil, o imposto pago lá e o número fiscal. Com isso ele define o status do ano e escolhe o formulário certo.
Abaixo, cada item com o motivo de levá-lo.
Atualizado em outubro de 2026.
Por que a primeira reunião define a qualidade da declaração
Porque o status do ano (não residente, residente ou dual-status) vem das datas e do visto, e todo o resto depende dele. Se a reunião começa sem esses dados, o profissional precisa reconstruí-los, e o que ninguém lembra vira estimativa.
A lista de documentos pode parecer longa, mas cada item responde a uma pergunta da declaração. Quem chega com a pasta pronta tende a sair da primeira reunião com o status definido, o formulário escolhido e a lista do que falta, sem a troca interminável de e-mails. Para localizar o seu status antes, o guia de residência fiscal entre Brasil e Estados Unidos é o ponto de partida.
Quais datas e documentos de imigração levar?
Leve a data de entrada nos EUA, o visto, o passaporte e o registro de cada viagem de ida e volta. Esses itens servem ao teste de presença substancial (substantial presence test), que a página do IRS sobre o teste (consulta em 9 de outubro de 2026) define como presença de pelo menos 31 dias no ano e 183 dias ponderados em três anos.
Se você está com visto de estudante (F, J, M ou Q), os dias podem ser excluídos da contagem enquanto as condições do visto forem cumpridas, e a exclusão exige o Form 8843, segundo a mesma página. Por isso leve também o I-20 ou o DS-2019 e o comprovante da condição de estudante.
O registro de viagens é a peça que mais falta. Uma planilha simples, com a data de saída e a de retorno de cada viagem, resolve.
Quais formulários de renda americanos levar?
Leve o Form W-2 de cada empregador e os Forms 1099 que tenha recebido. O W-2 é o comprovante de salário e de imposto retido que o empregador deve emitir ao empregado, conforme a página do IRS sobre o Form W-2 (consulta em 9 de outubro de 2026). O Form 1099 reúne outros tipos de renda, como juros, dividendos ou pagamentos de serviços fora do vínculo de emprego.
Se houve bolsa, estágio remunerado ou trabalho autorizado, leve também o contrato ou a carta que descreve o pagamento. O tipo de renda muda o tratamento: nem todo valor recebido é tributável da mesma forma, e isso depende do status.
Se você recebeu um Form 1042-S, leve-o também. É um formulário de renda e retenção de fonte americana associado a pagamentos a estrangeiros, e sem ele o profissional pode declarar a renda sem o imposto que já foi retido.
Quais rendas e contas no Brasil levar?
Leve a lista de rendas recebidas no Brasil, com a data do recebimento, e o extrato das contas e dos investimentos que continuam lá. Para quem é residente, a página do IRS sobre a tributação de residentes (consulta em 9 de outubro de 2026) informa que a renda mundial é tributada e deve ser informada, dentro ou fora dos EUA. Para o não residente, a regra é diferente, e a data de mudança de status determina quais rendas entram.
A data de cada recebimento pesa. Em um exemplo ilustrativo, o aluguel recebido em janeiro, antes da mudança, pode ter tratamento diferente do recebido em dezembro. Leve também o imposto pago no Brasil, se houver, porque ele pode ser relevante para o crédito de imposto estrangeiro.
A moeda também entra na conta. A página do IRS sobre moeda estrangeira (consulta em 9 de outubro de 2026) diz que os valores na declaração devem ser expressos em dólares e que, em geral, se usa a taxa de câmbio vigente na data do recebimento ou do pagamento. Ter a data e o valor em reais de cada operação poupa retrabalho.
Que números fiscais e dados de conta levar?
Leve o SSN (Social Security Number) ou o ITIN (Individual Taxpayer Identification Number), o endereço onde mora e os dados da conta bancária para o depósito de eventual restituição. O IRS explica na página sobre números de identificação do contribuinte (consulta em 9 de outubro de 2026) que o número precisa constar na declaração.
Se você tem cônjuge ou dependente, a página do IRS sobre residentes observa que cada um deve ter um SSN ou um ITIN para ser declarado como dependente. Leve os números e os documentos deles.
Antes de sair de casa, confira se a pasta tem:
- passaporte, visto e I-20 ou DS-2019, quando houver;
- datas de entrada e de cada viagem, em planilha;
- W-2, 1099 e 1042-S recebidos;
- rendas e contas no Brasil, com datas e valores em reais;
- comprovantes de imposto pago no Brasil;
- SSN ou ITIN, de você e de quem declara com você;
- declarações americanas e brasileiras anteriores, se existirem.
O que o profissional faz com tudo isso
Ele define o status do ano, escolhe o formulário (Form 1040, Form 1040-NR ou o caminho de dual-status), converte as rendas para dólar e identifica as informações adicionais que o exterior exige. Para o não residente, a página do IRS sobre a tributação de não residentes (consulta em 9 de outubro de 2026) indica o Form 1040-NR e prazos que variam conforme o tipo de renda.
A ordem importa. O status vem primeiro, e só depois entram a renda e as deduções disponíveis. Quem começa a preencher antes de definir o status corre o risco de ter de refazer tudo.
"O que mais atrasa a primeira declaração é o dado que ninguém levou: a data de entrada, a conta no Brasil, o salário de um mês", observa Cristina Teixeira, CPA e TEP, cofundadora da Astride. (citação proposta, aguardando aprovação)
O que muda de caso para caso
Variáveis que pedem análise individual:
- o visto e a condição de exempt individual (quem pode excluir dias da contagem);
- a data da mudança de status, que divide a renda em antes e depois;
- o tipo de renda: salário, bolsa, estágio, renda de capital, renda brasileira;
- contas e ativos no Brasil que podem gerar obrigações de informação próprias;
- a situação do cônjuge e dos dependentes.
Ficam de fora deste texto, de propósito, os valores e limites das obrigações de informação sobre contas no exterior: eles mudam e dependem do caso. Entram na reunião, com a fonte oficial aberta.
Como a Astride atua
A Astride define o status do ano e prepara a primeira declaração a partir dos documentos acima, considerando os dois países na mesma análise. Para estudantes sem renda americana, existe o Report de estudante; para quem tem salário, bolsa ou renda brasileira, o trabalho começa pelo status e segue pelo formulário.
A pasta não precisa estar perfeita. A primeira conversa serve também para descobrir o que falta.
Perguntas frequentes
Quais documentos preciso para a primeira declaração nos EUA?
Datas de entrada e de viagens, visto, W-2 e 1099, rendas e contas no Brasil, imposto pago lá e o SSN ou ITIN. O IRS exige o número fiscal na declaração, e o resto serve para definir o status e a renda do ano.
O que é o W-2 e o que é o 1099?
O W-2 é o comprovante de salário e de imposto retido emitido pelo empregador, conforme o IRS. O 1099 é a família de formulários que informa outros tipos de renda, como juros, dividendos ou pagamentos por serviços.
Por que as datas de entrada importam tanto?
Porque a contagem de dias e a data da mudança de status dependem delas. O IRS usa a presença no país para decidir se você é residente. Sem datas confiáveis, o status do ano vira estimativa.
Preciso levar a renda do Brasil se sou estudante?
Leve, para o profissional decidir se entra ou não. O IRS indica que não residente com renda só de fonte estrangeira não precisa declarar. Para residente, a renda mundial entra.
Como converter reais em dólares?
Em geral, com a taxa de câmbio vigente na data do recebimento ou do pagamento, segundo a página do IRS sobre moeda estrangeira. Por isso vale anotar a data e o valor em reais de cada operação.
E se eu esquecer um documento?
O profissional consegue começar com o que há e deixa a pendência listada. O que não convém é entregar a declaração com a lacuna aberta: renda sem formulário e conta sem informação são o tipo de falha que leva a retificar depois.
Leia também
- Guia de residência fiscal entre Brasil e Estados Unidos
- Primeiro ano nos EUA: como escolher entre dual-status e residência integral
- Contagem de dias nos EUA: quais entram e como manter o registro
- Estudante com bolsa, estágio ou trabalho nos EUA: quando declarar
Conclusão
A primeira declaração sai certa quando o profissional recebe datas, visto, formulários de renda, rendas e contas no Brasil e números fiscais antes de preencher qualquer campo. O status do ano vem dessas informações, e o resto depende dele.
Se você está no primeiro ano e a declaração é a próxima etapa, o caminho é uma conversa com quem enxerga Brasil e Estados Unidos em conjunto. Fale com o time da Astride e leve o visto, as datas de entrada, o W-2 ou 1099 e a lista de rendas e contas no Brasil: é o suficiente para começar.
Conteúdo educativo. Cada situação requer análise individual.
