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Herdei bens nos EUA morando no Brasil: os primeiros passos e o que reunir antes de agir

Herdei bens nos EUA morando no Brasil: veja os primeiros passos, os documentos a reunir e por que não vender nem transferir nada antes de entender o processo.

Por Cristina Teixeira, CPA, TEP, CRC

Publicado em

Pasta com documentos de família, uma caneta e uma chave sobre uma mesa de madeira em ambiente calmo

Quem herda bens nos EUA morando no Brasil costuma precisar de um processo local para receber o que é seu, além de tratar a herança no Brasil. Antes de contratar alguém, vender ou transferir qualquer coisa, reúna a certidão de óbito, os documentos de cada bem, o testamento, se houver, e a lista de herdeiros.

Você não precisa ter tudo para começar. Este texto organiza a ordem dos passos e mostra o que cada documento ajuda a descobrir.

Atualizado em outubro de 2026.


Por que não decidir nada nas primeiras semanas

A primeira regra é não vender, não transferir e não fechar nada até saber qual processo se aplica. O luto pesa, a conta nos EUA parece estar parada e há pressão de familiares ou de terceiros para resolver logo, mas decidir rápido sem informação costuma custar mais caro depois.

Um imóvel ou uma conta nos EUA geralmente só pode ser vendido, transferido ou encerrado por quem tem autorização formal para isso, e essa autorização costuma vir do processo local. Mexer antes pode gerar problemas com o banco, com o cartório ou com outros herdeiros.

O mais útil nessa fase é organizar a informação. Com os documentos em mãos, qualquer profissional consegue dizer em uma conversa o que existe, onde está e qual caminho faz sentido. O guia de sucessão internacional mostra o quadro maior, e aqui o foco é só o começo.


Quais são os primeiros passos para quem herdou bens nos EUA?

Os primeiros passos são levantar o que existe, reunir os documentos de cada bem e descobrir se há processo local aberto ou testamento. A ordem abaixo ajuda a não pular etapa:

  1. Peça várias cópias da certidão de óbito, porque bancos e tribunais costumam exigir uma cópia para cada procedimento.
  2. Liste cada bem nos EUA: imóveis, contas bancárias, corretoras, ações, seguros e participações em empresas.
  3. Procure o testamento e outros documentos sucessórios, e anote em que país e quando foram feitos.
  4. Anote os dados de cada herdeiro, com nome completo, parentesco, país onde mora e contato.
  5. Separe as correspondências recentes de bancos, corretoras e cobranças do imóvel, que mostram o que ainda está ativo.
  6. Verifique se alguém já abriu um processo ou se existe um representante nomeado para o espólio.
  7. Só então converse com um profissional que enxergue os dois países.

Os passos 2 e 3 são os que mais mudam o caminho: o tipo de bem e a existência de testamento definem se há processo judicial local e qual o seu tamanho.


O que reunir para cada tipo de bem

Cada tipo de bem tem um documento principal que mostra de quem ele é e como está registrado. A tabela resume o que procurar, e a forma de registro costuma pesar mais do que o valor.

Tipo de bem Documento a procurar O que ele ajuda a descobrir
Imóvel Escritura, extrato do imposto predial, seguro Em nome de quem está e se há mais de um titular
Conta bancária Extrato recente, contrato de abertura Se há beneficiário indicado ou titular conjunto
Corretora ou investimento Extrato, formulário de abertura Se há beneficiário indicado e que ativos existem
Empresa nos EUA Contrato social, registro no estado Se o bem é da empresa e quem a controla
Seguro de vida Apólice Quem foi indicado como beneficiário

A tabela descreve tendências, e cada banco, corretora e estado tem regras próprias. Um bem com beneficiário indicado ou titular conjunto pode seguir caminho diferente de um bem só em nome da pessoa falecida, e o processo local, o probate, em geral cuida do que não tem essa indicação.

O artigo sobre inventário de bens no exterior explica o que é o probate e por que ele costuma aparecer. Se a dúvida é a ordem entre os dois países, veja inventário no Brasil ou nos EUA primeiro.

"Na primeira conversa, o documento que mais ajuda não é o mais caro nem o mais recente. É o que mostra em nome de quem o bem está. Isso costuma decidir se há processo ou não", observa Cristina Teixeira, CPA e TEP, cofundadora da Astride.


Há imposto americano sobre a herança?

Pode haver, e a regra depende de quem faleceu. Se era não residente e não cidadão americano, e deixou bens situados nos EUA acima de um valor, o executor do espólio deve apresentar uma declaração própria, o Form 706-NA.

Segundo o IRS (consulta em 5 de outubro de 2026), o executor de um não residente que não era cidadão dos EUA deve apresentar o Form 706-NA se o valor de mercado dos bens situados nos EUA na data da morte passou de US$ 60.000. A página inclui entre esses bens imóveis nos EUA e ações de empresas constituídas sob a lei americana, mesmo que os certificados estivessem fora do país.

Se quem faleceu era cidadão americano, as regras são outras: segundo a mesma página do IRS, o cidadão é tributado sobre os bens no mundo todo, e a obrigação de declarar depende de um valor de isenção que muda com o ano da morte.

A mesma página traz um aviso que vale para o herdeiro: o IRS pode cobrar imposto de herança não pago de quem recebeu bens do falecido. Por isso, receber ou vender um bem antes de saber se há declaração a fazer pode deixar uma pendência com o herdeiro.


E a herança do lado brasileiro?

A herança recebida do exterior também precisa ser tratada no Brasil, e como isso funciona depende do estado onde você mora e do tipo de bem. Este ponto pede análise individual: a regra brasileira para bens no exterior pode envolver a declaração de imposto de renda e o imposto estadual sobre herança, e as regras variam entre estados.

Em vez de assumir uma regra, o caminho seguro é levar à conversa o valor aproximado dos bens, a data do falecimento e o seu estado de residência. Com esses três dados, quem conhece os dois sistemas consegue dizer o que se aplica, e o que não se aplica, ao seu caso.


O que muda de caso para caso

O caminho depende do tipo de bem, de como ele está registrado, de onde moravam o falecido e os herdeiros, de existir testamento e de quantos herdeiros há. Dois herdeiros com o mesmo tipo de imóvel podem enfrentar processos bem diferentes se os estados forem outros.

Atenção: se há mais de um herdeiro, dois pontos costumam gerar atrito. O primeiro é quem representa o espólio nos EUA, que costuma precisar de nomeação formal. O segundo é o que fazer com o bem, vender, manter ou dividir, porque cada opção tem efeito tributário e custo próprios.

Se o falecido tinha testamento, vale ler com calma o que ele diz sobre os bens nos EUA. O artigo sobre testamento brasileiro e bens no exterior mostra os limites de um documento feito em um só país.


Como a Astride atua

A Astride organiza o processo nos EUA e a declaração no Brasil como um trabalho só, coordenando advogados nos dois países quando o caso exige. O ponto de partida é o mapa dos bens e dos herdeiros, a partir dos documentos que você já tem.

A análise integrada considera sucessão, titularidade e tributação ao mesmo tempo, para que uma decisão sobre o imóvel, por exemplo, não crie um custo escondido do outro lado. O que se aplica depende dos fatos e da lei do estado onde o bem está, e a primeira conversa serve para confirmar isso.


Perguntas frequentes

Herdei um imóvel nos EUA morando no Brasil, o que faço primeiro?

Reúna a certidão de óbito, a escritura e os documentos recentes do imóvel, como o imposto predial e o seguro, e não venda nem transfira nada ainda. Em geral, um imóvel em nome de pessoa física exige um processo local para ser transferido aos herdeiros, e o tipo de processo depende do estado.

Preciso ir aos EUA para receber a herança?

Nem sempre. Muitas etapas de um processo americano podem ser conduzidas por advogados, por procuração ou por meios eletrônicos, mas isso depende do tribunal e do tipo de bem. Confirme com um profissional antes de comprar passagem.

Posso vender o imóvel herdado logo?

Em geral, só depois de ter a autorização formal para transferir o bem, e isso costuma vir do processo local. Vender antes também pode ter efeito tributário, e o IRS informa que pode cobrar imposto de herança não pago de quem recebeu os bens.

Herança nos EUA paga imposto?

Pode pagar. Para bens de um não residente que não era cidadão americano, o IRS exige o Form 706-NA quando os bens situados nos EUA passam de US$ 60.000 na data da morte, e o imposto efetivo depende do valor. A obrigação é separada do processo judicial e da declaração no Brasil.

E se eu não achar o testamento?

Ele pode ter sido guardado com um advogado, em um banco ou em um cartório, no Brasil ou nos EUA. Pergunte à família e a quem cuidava dos documentos, e informe a falta a quem for conduzir o processo, porque sem testamento valem as regras de sucessão legal do estado.

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Conclusão

Quem herda bens nos EUA morando no Brasil deve começar pelo levantamento, e não pela decisão: certidão de óbito, documentos de cada bem, testamento e lista de herdeiros mostram qual processo existe e quanto ele pesa. Até lá, o melhor movimento é não vender, não transferir e não assinar nada.

Se você acabou de herdar um imóvel ou uma conta nos EUA, o próximo passo é uma conversa com quem enxerga Brasil e Estados Unidos em conjunto. Fale com o time da Astride e leve a certidão de óbito, os documentos de cada bem e a relação de herdeiros: é o suficiente para começar.

Conteúdo educativo. Cada situação requer análise individual.

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