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Recebeu uma proposta de estrutura internacional? Sinais de alerta antes de assinar

Recebeu proposta de estrutura internacional? Veja os sinais de alerta antes de assinar e as perguntas a exigir por escrito: objetivo, custos e declarações.

Por Cristina Teixeira, CPA, TEP, CRC

Publicado em

Pessoa lendo um contrato impresso sobre uma mesa de reunião, com uma caneta fechada ao lado das páginas

Uma proposta de estrutura internacional merece desconfiança quando promete eliminar imposto, não explica o propósito da estrutura, omite custos recorrentes ou ignora as declarações exigidas no Brasil e no exterior. Antes de assinar, peça por escrito o objetivo, os custos de cada ano e as obrigações de cada país.

O texto é para quem já tem uma proposta na mão e precisa decidir se ela se sustenta.

Atualizado em outubro de 2026.


Por que a assinatura é o momento mais barato para duvidar

Antes de assinar, duvidar custa uma conversa. Depois, custa manutenção, declarações e, às vezes, o trabalho de desfazer o que foi montado.

Quem recebe uma proposta dessas costuma estar sob pressão de tempo: uma oportunidade que "fecha esta semana", um desconto para quem contrata hoje, uma regra que "vai mudar". Anote a urgência primeiro. Uma estrutura que faz sentido continua fazendo sentido na semana seguinte.

Depois, repare no que o documento não diz. Propostas fracas descrevem por páginas o que a estrutura promete e dedicam quase nada ao que ela exige do cliente.

O guia sobre offshore, PIC e estruturas internacionais mostra o que uma estrutura bem montada costuma incluir. Este texto é o filtro para a proposta que já chegou pronta.


Quais sinais de alerta aparecem com mais frequência?

Quatro sinais aparecem quase sempre: a promessa fiscal absoluta, a falta de propósito, os custos omitidos e o silêncio sobre as declarações. A tabela traz os cinco que mais se repetem, com o que pedir em cada caso.

Sinal na proposta Por que preocupa O que pedir por escrito
Promete zerar ou eliminar imposto Nenhuma estrutura reduz imposto sempre; o resultado depende dos fatos e da lei de cada país A base legal da economia anunciada e as condições para ela existir
Não diz para que a estrutura serve além do imposto Sem propósito, a entidade fica difícil de justificar Uma frase de objetivo que faça sentido sem citar tributo
Ignora as obrigações no Brasil A pessoa residente no Brasil continua sujeita às regras brasileiras A lista de declarações brasileiras que a estrutura gera
Custos só da abertura A manutenção anual é o custo que dura Orçamento de cada ano: agente, contabilidade, declarações
Pressa, desconto de hoje, pouca clareza sobre quem manda Pressa reduz a leitura; opacidade esconde quem controla Quem é diretor, quem é beneficiário, quem assina e quem tem as senhas

Um sinal isolado tem explicação plausível. Três na mesma proposta já são padrão.

"Uma boa proposta responde primeiro o que a estrutura faz e o que ela custa para manter. A que começa pela economia de imposto está vendendo outra coisa", observa Cristina Teixeira, CPA e TEP, cofundadora da Astride. (citação proposta, aguardando aprovação)


O que a lei brasileira diz sobre o que a proposta ignora

Proposta que não cita o Brasil esquece o país onde o cliente mora. A Lei 14.754/2023 (consulta em 6 de outubro de 2026) determina que a pessoa física residente no País declare, na Declaração de Ajuste Anual (DAA), os rendimentos do capital aplicado no exterior, em aplicações financeiras e em lucros e dividendos de entidades controladas. Segundo o mesmo texto, os lucros de entidades controladas no exterior são tributados em 31 de dezembro de cada ano. Como a lei pode ser alterada, confirme a redação vigente na data em que for decidir.

Abrir uma entidade no exterior não tira o dono do alcance da regra brasileira. Quem vende a estrutura sem tocar nesse ponto empurra a pergunta mais séria para depois da assinatura.

Existe também a regra de desconsideração. O parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional (consulta em 6 de outubro de 2026) permite à autoridade administrativa desconsiderar atos ou negócios praticados com a finalidade de dissimular o fato gerador, observados os procedimentos de lei ordinária. Uma proposta cujo único argumento é a economia fiscal oferece pouco para sustentar o propósito diante dessa regra.


Quais perguntas fazer antes de assinar?

Faça as perguntas por escrito e guarde as respostas: o que o vendedor diz em reunião não pesa como o que ele assina. Estas seis cobrem o essencial:

  1. Qual é o objetivo da estrutura, em uma frase que não cite imposto?
  2. Quanto custa abrir e quanto custa manter em cada ano, item por item?
  3. Quais declarações a estrutura gera no Brasil e em cada país envolvido, e quem as prepara?
  4. Quem aparece como diretor, quem é o beneficiário real e quem controla contas e senhas?
  5. O que acontece se eu quiser encerrar, vender ou transferir a estrutura?
  6. Quais riscos a proposta reconhece, e o que ela diz que não pode garantir?

A quarta pergunta é a que mais gente deixa passar. A OCDE (consulta em 6 de outubro de 2026) descreve o padrão internacional pelo qual informações sobre os proprietários legais e os beneficiários reais de ativos, empresas e contas devem estar disponíveis às autoridades. Uma proposta que não consegue dizer quem é o beneficiário real não está pronta para esse padrão.

A sexta separa quem planeja de quem vende. Proposta séria cita limites; a que só tem promessa não cita nenhum.


O que muda de caso para caso

Nem todo sinal pesa igual. Uma entidade criada para deter um imóvel nos Estados Unidos tem custos e declarações diferentes dos de uma Personal Investment Company (PIC) para investimentos. A residência fiscal do cliente, o valor envolvido e o objetivo mudam a conta.

Quem já tem estrutura funcionando e recebe uma proposta para "melhorá-la" precisa de outra pergunta: o que isso corrige e o que cria de novo? Para revisar o que já está montado, o texto sobre montar as camadas de proteção na ordem certa ajuda a enxergar a sequência.

Proposta bem escrita não prova que a estrutura serve para você. Apenas deixa decidir com os dados à mesa.


Como a Astride atua

A Astride dá uma segunda opinião sobre a proposta antes da contratação. Lê o documento inteiro: objetivo, custos recorrentes, obrigações em cada país e quem controla o quê.

Sai dali uma lista com o que a proposta responde, o que deixa em aberto e o que precisa ser perguntado ao fornecedor. Se a estrutura faz sentido, a lista vira roteiro de implantação. Se não faz, o cliente sabe por quê, com os dois países na análise.


Perguntas frequentes

Estrutura internacional que promete zerar imposto é golpe?

Nem sempre é golpe, mas a promessa absoluta é um sinal de alerta. O resultado fiscal de uma estrutura depende dos fatos do cliente e da lei de cada país, e nenhuma estrutura reduz imposto em todos os casos. Peça por escrito a base legal da economia anunciada.

Quanto custa manter uma estrutura offshore por ano?

Depende da jurisdição, do tipo de entidade e dos serviços contratados. Por isso a proposta deve trazer o orçamento anual item por item, com agente registrado, contabilidade e declarações. Se só aparece o custo de abertura, falta informação para decidir.

Preciso declarar no Brasil uma empresa aberta no exterior?

Em geral, a pessoa física residente no Brasil tem de declarar na DAA os rendimentos do capital aplicado no exterior e, segundo a Lei 14.754/2023, os lucros de entidades controladas. A regra exata depende do seu caso e da redação vigente da lei.

Posso pedir que a proposta diga quem é o beneficiário real?

Pode e deve. A informação sobre os beneficiários reais é parte do padrão internacional descrito pela OCDE, e um fornecedor que se recusa a registrá-la deixa você sem saber quem controla a entidade.

Como saber se a estrutura tem propósito além do imposto?

Tente explicar o objetivo em uma frase sem usar a palavra imposto. Se a frase não fecha, falta propósito. Um exemplo ilustrativo de objetivo que fecha é separar um imóvel americano do patrimônio pessoal, com custos e declarações previstos desde o início.

Vale pedir uma segunda opinião antes de assinar?

Vale. Perto de uma estrutura que precisa ser mantida todos os anos, a segunda opinião custa pouco, e ela confere se a proposta responde às perguntas acima antes de qualquer pagamento.

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Conclusão

Uma proposta de estrutura internacional se sustenta quando explica o propósito, lista os custos de cada ano e reconhece as obrigações no Brasil e no exterior. Quando só promete economia, o risco pesa mais que o benefício.

Se a proposta já está na sua mesa, converse com quem enxerga Brasil e Estados Unidos em conjunto. Fale com o time da Astride levando a proposta, o objetivo que você quer atingir e o orçamento anual previsto. Já dá para começar.

Conteúdo educativo. Cada situação requer análise individual.

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