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Exposição ao estate tax americano: quais bens contam e o que muda conforme a titularidade

Estate tax para não residentes: quais bens contam como situados nos EUA (imóveis, ações de empresas americanas), o que fica de fora e o papel da titularidade.

Por Cristina Teixeira, CPA, TEP, CRC

Publicado em

Casa com varanda em bairro residencial americano, vista de frente, em luz suave de fim de tarde

O estate tax americano alcança, para o não residente, os bens situados nos Estados Unidos: imóveis, bens materiais e ações de empresas organizadas sob a lei americana, mesmo que a conta esteja fora do país. Outros ativos, como certos depósitos bancários, podem ficar de fora. A titularidade de cada bem define a exposição.

Abaixo está a divisão entre o que costuma contar e o que costuma ficar fora, segundo o IRS, e o que muda conforme o nome em que o bem está.

Atualizado em outubro de 2026.


Por que a exposição ao estate tax surpreende quem investe nos EUA

A exposição surpreende porque o imposto incide sobre a localização do bem, e não sobre o endereço do dono. Um brasileiro que nunca morou nos Estados Unidos pode ter bens lá, e a morte dele dispara regras americanas sobre esses bens.

É comum descobrir isso só no momento em que a família tenta transferir o imóvel ou as ações. Nessa hora, o prazo e a papelada já correm, e as alternativas de organização ficaram menores.

O guia para comprar imóvel nos EUA sendo brasileiro mostra o contexto da compra. Aqui o foco é saber quais bens entram na conta.


O que é o estate tax para quem não é residente?

É um imposto sobre a transferência, na morte, dos bens situados nos Estados Unidos. Segundo a página do IRS sobre o estate tax de não residentes não cidadãos (consulta em 6 de outubro de 2026), é um imposto sobre a transferência de propriedade situada nos EUA, que pode incluir bens materiais e imateriais pertencentes ao falecido na data da morte.

Em termos simples, o que se olha é onde o bem está e a quem pertencia. O cálculo usa o valor justo de mercado na data da morte, e não o que foi pago. A mesma página diz que o inventariante precisa entregar o Form 706-NA se o valor dos ativos situados nos EUA, somado à isenção específica do imposto sobre doações e aos presentes tributáveis ajustados, passar do limite de entrega de US$ 60.000, e que esse limite não é corrigido pela inflação. A entrega é em até nove meses após a morte, salvo prorrogação.

Atenção: o limite de US$ 60.000 é o gatilho de entrega do formulário. Ele não é o mesmo que o valor a partir do qual há imposto a pagar, e o cálculo depende de deduções e de outros fatores.


Quais bens contam e quais ficam de fora?

Contam os bens situados nos EUA, e podem ficar de fora alguns ativos específicos. A orientação do IRS sobre não residentes com ativos nos EUA (consulta em 6 de outubro de 2026) dá os exemplos abaixo.

Tipo de ativo Como o IRS trata Observação
Imóvel nos EUA Situado nos EUA, sujeito ao estate tax Inclui casas, apartamentos e terrenos
Bens materiais (tangible personal property) Em regra situados nos EUA se estão no país A página exclui algumas obras de arte
Ações de empresa organizada sob a lei dos EUA Situadas nos EUA, mesmo com os certificados guardados no exterior Vale também se estão no nome de um nominee
Certos depósitos e títulos de dívida Podem ser tratados como situados fora dos EUA Descritos na seção 871(g)-(i) do código tributário
Conta em agência estrangeira de banco comercial americano Pode ser tratada como situada fora dos EUA Depende do caso
Seguro de vida de não residente O valor pago pode ficar fora Depende do caso

Atenção: a lista é de exemplos do IRS, e não de todos os ativos possíveis. A classificação de um ativo específico, como um fundo ou um título, exige análise individual.


Como a titularidade muda a exposição?

A titularidade muda a exposição porque o que conta é o bem que pertence ao falecido na data da morte, e o nome em que ele está registrado define isso. Um imóvel em nome da pessoa, de uma empresa ou de uma estrutura pode receber tratamentos diferentes.

A página do IRS não detalha o efeito de manter o bem por meio de uma entidade, e por isso essa análise exige o caso concreto. O que a página mostra, por exemplo, é que ações de empresa americana contam como bens nos EUA mesmo guardadas no exterior. Isso afasta a ideia de que "a conta fora do país resolve".

O artigo sobre offshore dona de LLC para imóvel nos EUA mostra uma forma de organizar a titularidade, e LLC ou pessoa física para imóvel nos EUA compara os caminhos. Nenhuma estrutura elimina o imposto por si só, e o efeito depende do desenho e dos fatos.

"A pergunta não é só quanto vale o patrimônio nos EUA, e sim em nome de quem ele está. É a titularidade que muda a conversa", observa Cristina Teixeira, CPA e TEP, cofundadora da Astride. (citação proposta, aguardando aprovação)


O que fazer para saber a sua exposição

Um levantamento simples já mostra o quadro:

  1. Liste cada bem com ligação com os EUA: imóveis, ações, contas, seguros.
  2. Anote o valor aproximado de cada um e o nome em que está registrado.
  3. Classifique cada bem como situado nos EUA ou fora, com apoio da orientação do IRS.
  4. Some o que está situado nos EUA e compare com o limite de entrega de US$ 60.000.
  5. Verifique se algum tratado entre os países altera o tratamento dos seus ativos.

O IRS observa que tratados de estate tax entre os EUA e outros países muitas vezes dão tratamento mais favorável a não residentes, e que o inventariante deve consultá-los quando aplicáveis. O que isso significa para cada país depende do tratado em vigor, e deve ser confirmado caso a caso.


O que muda de caso para caso

Variáveis que pedem análise individual:

  • O tipo, o valor e a localização de cada bem.
  • O nome em que cada bem está registrado e se há estrutura.
  • A existência de tratado aplicável ao país da pessoa.
  • O estado onde o imóvel está, que pode ter regras próprias.
  • Os herdeiros, a residência deles e o plano sucessório existente.

Atenção: este ponto depende dos fatos, e o IRS pode cobrar o imposto devido de quem recebe os bens, segundo a página consultada. Nada aqui é promessa de eliminação do imposto.


Como a Astride atua

A Astride mapeia os bens com ligação aos Estados Unidos, o nome em que cada um está e a residência dos herdeiros, e desenha a organização considerando tributação, sucessão e proteção patrimonial como uma decisão só. Isso inclui a estrutura em camadas para imóvel nos EUA, quando faz sentido.

A estrutura é uma ferramenta possível, e não uma solução universal. A primeira conversa serve para confirmar se faz sentido no seu caso e para mapear a exposição atual.


Perguntas frequentes

Brasileiro paga estate tax nos EUA?

Pode pagar, se tiver bens situados nos EUA na data da morte. O IRS sujeita ao estate tax os não residentes não cidadãos quanto a seus bens situados nos EUA. O valor devido depende do que há de bens, das deduções e do tratado aplicável.

Imóvel nos EUA entra no estate tax?

Sim, o imóvel situado nos EUA aparece entre os exemplos de bens sujeitos ao imposto, segundo o IRS. O que muda o resultado é o valor, a titularidade e as deduções permitidas.

Ações de empresas americanas em conta no Brasil contam?

Segundo o IRS, ações de empresas organizadas sob a lei americana são tratadas como situadas nos EUA, mesmo se os certificados estiverem no exterior ou no nome de um nominee. A conta estar fora do país não muda a classificação.

Depósito em banco americano entra na conta?

Nem sempre. O IRS cita certos depósitos e títulos de dívida, descritos na seção 871(g)-(i), entre os exemplos de bens tratados como situados fora dos EUA. A classificação depende do tipo de depósito e deve ser confirmada.

Qual é o limite para entregar o Form 706-NA?

O IRS informa que o inventariante deve entregar o Form 706-NA quando o valor dos ativos situados nos EUA, com a isenção específica de doações e os presentes tributáveis ajustados, passa de US$ 60.000. A página diz que esse limite não é corrigido pela inflação.

Em quanto tempo o Form 706-NA deve ser entregue?

Em até nove meses após a morte, salvo prorrogação concedida, segundo o IRS. A prorrogação é pedida pelo Form 4768.

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Conclusão

O estate tax americano olha para onde o bem está. Para o não residente, imóveis, bens materiais e ações de empresas americanas costumam contar, enquanto certos depósitos e outros ativos podem ficar de fora, e a titularidade pesa na análise.

Antes de escolher entre manter o bem em nome próprio ou organizar uma estrutura, reúna a lista dos bens com ligação aos EUA, o valor aproximado de cada um e o nome em que estão. Com isso em mãos, fale com o time da Astride para uma análise que considere os dois países ao mesmo tempo.

Conteúdo educativo. Cada situação requer análise individual.

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