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Moro nos EUA e tenho conta no Brasil: quando ela precisa ser declarada e em qual formulário

Conta no Brasil morando nos EUA: veja quando o FBAR e o Form 8938 se aplicam, quais limites contam e por que uma poupança comum pode disparar os dois.

Por Cristina Teixeira, CPA, TEP, CRC

Publicado em

Extrato de conta bancária em reais ao lado de um notebook com formulário aberto sobre uma mesa

Quem mora nos EUA como residente fiscal e mantém conta no Brasil pode ter duas obrigações separadas: o FBAR, entregue ao FinCEN, e o Form 8938, entregue ao IRS junto com a declaração. Cada um tem critério e limite próprios, e uma poupança comum no Brasil pode disparar os dois.

Este texto mostra como cada relatório funciona, quais limites contam e o que somar antes de decidir se a sua situação exige um deles, ou os dois.

Atualizado em outubro de 2026.


Por que contas no Brasil costumam passar despercebidas

Muita gente só descobre a obrigação anos depois de se mudar, porque a conta no Brasil continua funcionando e parece "coisa de lá". A conta fica no nome da pessoa, recebe depósitos da família ou do aluguel de um imóvel e quase não é movimentada.

O problema é que, para as regras americanas, o que importa é o valor da conta, e não se ela rendeu. Quem não sabe disso pode deixar de entregar um relatório por vários anos seguidos, e a regularização depois costuma dar mais trabalho do que o reporte feito no prazo.

Antes de olhar os formulários, vale confirmar se você é residente fiscal nos EUA. O artigo sobre o Substantial Presence Test explica o teste de dias, um dos critérios que definem isso.


O que é o FBAR e quando ele se aplica?

O FBAR (Report of Foreign Bank and Financial Accounts) é um relatório anual de contas no exterior, entregue ao FinCEN, o órgão do Tesouro americano que cuida de crimes financeiros. Ele se aplica quando a soma das suas contas fora dos EUA passa de US$ 10.000 em qualquer momento do ano.

Segundo o IRS (consulta em 5 de outubro de 2026), uma pessoa dos EUA, que inclui cidadão, residente, empresa e espólio, deve entregar o FBAR quando tem interesse financeiro ou poder de assinatura em contas fora do país e o valor agregado delas passou de US$ 10.000 em algum momento do ano. A página do FinCEN (consulta em 5 de outubro de 2026) confirma o mesmo limite.

O limite é somado entre todas as contas. Uma poupança com US$ 6.000 e uma conta corrente com US$ 5.000, por exemplo, dão US$ 11.000 e exigem o relatório das duas, mesmo que cada uma esteja abaixo do limite. O IRS também esclarece que o fato de a conta ter gerado renda tributável não muda se ela é reportável.

O FBAR vence em 15 de abril do ano seguinte, com prorrogação automática até 15 de outubro, segundo a mesma página do IRS. Ele é entregue por via eletrônica ao FinCEN, e não junto com a declaração de imposto de renda.


O que é o Form 8938 e quando ele se aplica?

O Form 8938 (Statement of Specified Foreign Financial Assets) é um relatório entregue ao IRS, anexado à declaração anual. Ele se aplica quando o valor total dos ativos financeiros estrangeiros passa de um limite que muda conforme o estado civil e o país onde a pessoa vive.

Segundo a comparação do IRS entre o Form 8938 e o FBAR (consulta em 5 de outubro de 2026), quem vive nos EUA deve entregar o formulário nestas situações:

  • pessoa solteira, ou casada que entrega a declaração separada: ativos acima de US$ 50.000 no último dia do ano, ou acima de US$ 75.000 em qualquer momento do ano;
  • casal que entrega a declaração conjunta: ativos acima de US$ 100.000 no último dia do ano, ou acima de US$ 150.000 em qualquer momento do ano.

Os limites são mais altos para quem vive fora dos EUA. Este texto trata de quem mora no país, por isso usa só os valores acima.

Uma diferença prática: o Form 8938 vai com a declaração, e o prazo é o da própria declaração, incluindo prorrogações. O FBAR segue caminho e prazo separados.


FBAR ou Form 8938: o que muda em cada caso

Os dois relatórios cobrem contas no exterior, mas não são o mesmo documento nem têm o mesmo limite. Uma conta pode exigir só um deles, os dois ou nenhum, e a tabela mostra as diferenças que mais pesam para quem tem conta no Brasil.

Critério FBAR Form 8938
Quem recebe FinCEN, órgão do Tesouro IRS, junto com a declaração
Limite para quem vive nos EUA Mais de US$ 10.000 somados, em qualquer momento do ano Mais de US$ 50.000 no fim do ano ou US$ 75.000 a qualquer momento (solteiro)
Prazo 15 de abril, com prorrogação automática até 15 de outubro O da declaração, com as prorrogações dela
Conta bancária no Brasil Reportável Reportável
Ações fora de conta Em geral, não Reportáveis

Fonte da tabela: IRS (consulta em 5 de outubro de 2026). Para o caso comum de quem tem poupança e conta corrente no Brasil, o FBAR costuma aparecer primeiro, porque o limite dele é bem mais baixo. O Form 8938 só entra quando o total passa do limite mais alto.

"Quem tem conta no Brasil e nunca olhou o saldo máximo do ano costuma subestimar o valor. Basta um depósito grande por um dia, de uma venda de imóvel por exemplo, para o limite ser ultrapassado", observa Cristina Teixeira, CPA e TEP, cofundadora da Astride.


Como somar o saldo máximo das contas no Brasil

Para o FBAR, o valor que importa é o saldo máximo que a conta atingiu no ano, e não o saldo de 31 de dezembro. O Form 8938 olha os dois: o saldo do último dia e o maior do ano. Segundo a mesma página de comparação do IRS, o saldo máximo se obtém dos extratos periódicos e é convertido em dólar pela cotação do fim do ano.

Uma ordem simples de trabalho:

  1. Liste todas as contas no Brasil em que você é titular ou tem poder de assinatura: poupança, conta corrente, corretora, fundos.
  2. Pegue o maior saldo de cada uma durante o ano, usando os extratos mensais.
  3. Converta cada valor para dólar pela cotação do fim do ano.
  4. Some tudo e compare com os limites da seção anterior.
  5. Guarde os extratos, porque o IRS orienta manter registros de nome, número, banco, tipo e saldo máximo de cada conta.

Os valores pedem cuidado com a moeda. Uma poupança parada em reais ainda varia em dólar por causa do câmbio, e isso muda o resultado em contas perto do limite.


Conta no Brasil também entra na renda global

A declaração americana de quem é residente inclui a renda do mundo todo, e os juros da conta no Brasil entram nela. Segundo o IRS (consulta em 5 de outubro de 2026), o residente deve reportar juros, dividendos, aluguéis e outros rendimentos, ganhos dentro ou fora dos EUA.

Isso significa que o reporte da conta é um assunto, e o imposto sobre o rendimento dela é outro. O primeiro olha o saldo, o segundo olha o que a conta rendeu. O artigo sobre renda no Brasil na declaração americana detalha o segundo ponto.


O que muda de caso para caso

O resultado depende de quem você é para o fisco americano, do tipo de conta e de quem a titulariza. Atenção: este texto trata de residente fiscal nos EUA com contas em nome próprio, e outras situações podem mudar os limites ou o formulário.

Alguns pontos pedem análise individual:

  • contas conjuntas, com o cônjuge ou com familiares no Brasil;
  • contas em que você só tem poder de assinatura, como a de pais idosos;
  • investimentos no Brasil que não ficam em conta, como participação em empresa;
  • anos anteriores em que o limite já foi ultrapassado e nada foi entregue.

Em todos esses casos, o ponto de partida é o mesmo: mapear as contas, os saldos máximos e os anos envolvidos. Para quem já deixou anos sem entregar, o artigo sobre renda do Brasil nunca declarada nos EUA trata da regularização.


Como a Astride atua

A declaração americana da Astride para residentes com renda global inclui o FBAR e o Form 8938 quando aplicáveis. O trabalho começa pelo mapa das contas e dos saldos máximos, passa pela conversão para dólar e termina na entrega de cada relatório no órgão e no prazo certos.

O objetivo é que o reporte de contas e a declaração de renda sejam preparados juntos, com os mesmos números, em vez de por pessoas diferentes em momentos diferentes.


Perguntas frequentes

Poupança comum no Brasil precisa ser declarada nos EUA?

Pode precisar. Para quem é residente fiscal nos EUA, o FBAR se aplica quando as contas no exterior somam mais de US$ 10.000 em qualquer momento do ano, e o Form 8938 tem limites mais altos. O que conta é o valor da conta, e não se ela rendeu.

FBAR e Form 8938 são a mesma coisa?

Não. O FBAR vai ao FinCEN, tem prazo de 15 de abril com prorrogação automática até 15 de outubro e limite de US$ 10.000. O Form 8938 vai ao IRS junto com a declaração e tem limites maiores, que variam com o estado civil e com o país onde a pessoa vive.

Preciso entregar o FBAR se a conta no Brasil não rendeu nada?

Pode precisar. O IRS informa que o fato de a conta ter gerado ou não renda tributável não muda se ela é uma conta estrangeira reportável. Se a soma passou do limite, o reporte vale mesmo com rendimento zero.

Como converter o saldo em reais para dólar?

Para o FBAR e o Form 8938, o IRS orienta converter pela cotação do fim do ano, a partir do saldo máximo que consta nos extratos. Guarde os extratos mensais, porque eles sustentam o valor reportado.

Conta conjunta com meu cônjuge também entra?

Pode entrar. Segundo a página do IRS sobre o FBAR, quando todas as contas são conjuntas com o cônjuge, um dos dois pode reportar pelos dois, desde que haja autorização em formulário próprio. Confirme o seu caso antes de assumir que o relatório do outro basta.

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Conclusão

Quem é residente fiscal nos EUA e mantém conta no Brasil deve somar o saldo máximo de todas as contas no ano e comparar com os dois limites: US$ 10.000 para o FBAR e os valores maiores do Form 8938. Uma poupança comum pode ser suficiente para ativar o primeiro, e o segundo depende do total e do estado civil.

Se você está começando a avaliar as suas contas no Brasil, o guia completo de residência fiscal entre Brasil e Estados Unidos organiza as decisões em ordem. E se a soma já passou de algum limite ou há anos sem reporte, fale com o time da Astride: uma conversa inicial ajuda a enxergar tributação, contabilidade e reporte de contas como uma decisão só.

Conteúdo educativo. Cada situação requer análise individual.

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