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Quem pode ser trustee: familiar, profissional ou instituição, e o que muda em cada escolha

Quem pode ser trustee do seu trust: o instituidor, um familiar, um profissional ou uma instituição. Compare controle, custo e continuidade antes de indicar.

Por Cristina Teixeira, CPA, TEP, CRC

Publicado em

Duas pessoas conversando sobre documentos em uma mesa de madeira, com uma pasta aberta entre elas

O trustee pode ser o próprio instituidor, um familiar, um profissional ou uma instituição, e cada escolha muda controle, custo, continuidade e tratamento fiscal. Um familiar costuma custar menos e conhecer a família, mas pode não ter estrutura para administrar bens em dois países por décadas. A residência do trustee também pesa.

Este texto compara as quatro opções e mostra o que reunir antes de indicar o nome.

Atualizado em outubro de 2026.


Por que a escolha do trustee importa tanto

A escolha importa porque o trustee é quem executa o trust no dia a dia, e o documento vale tanto quanto a pessoa que o administra. É comum decidir primeiro quem será beneficiário e deixar o trustee para o fim, em uma conversa rápida.

O trustee administra os bens, mantém a documentação e fornece as informações de que o instituidor e os beneficiários precisam para cumprir as obrigações fiscais. Um trustee sem estrutura, sem disponibilidade ou sem entendimento dos dois países pode atrasar relatórios e travar decisões justamente quando a família mais precisa deles.

Trocar o trustee depois é possível quando a escritura prevê essa troca, mas dá trabalho e pode ter custo. O guia de sucessão internacional, trust e testamento mostra onde o trust se encaixa. Aqui o foco é quem o administra.


Quem pode ser trustee de um trust?

Em geral, qualquer pessoa física ou jurídica capaz de assumir o dever fiduciário. Dever fiduciário, em termos simples, é a obrigação de agir em benefício de outra pessoa, e não em benefício próprio.

A Lei 14.754/2023, art. 12, inciso III (consulta em 5 de outubro de 2026), descreve o administrador (trustee) como pessoa física ou jurídica com dever fiduciário sobre os bens do trust. O que cada trustee pode fazer depende da escritura (trust deed), o documento que rege o trust.

Na prática, as escolhas se reduzem a quatro: o próprio instituidor, um familiar, um profissional independente ou uma instituição, como uma empresa de administração de trusts. O instituidor (settlor) é quem cria o trust e destina os bens a ele.


Como comparar as quatro opções

A tabela abaixo compara as quatro opções pelos critérios que mais pesam. Os valores são qualitativos e variam de caso para caso, porque custo e estrutura dependem do profissional ou da instituição escolhida.

Critério O próprio instituidor Familiar Profissional independente Instituição
Controle Mais alto, e pode reduzir a separação entre o instituidor e os bens Alto, com proximidade da família Médio, definido pela escritura Menor, a instituição segue o documento
Custo Costuma ser o menor Costuma ser baixo Honorários próprios Costuma ser o mais alto, com taxa recorrente
Continuidade Termina com o instituidor, salvo sucessor previsto Depende da saúde, da idade e da disponibilidade da pessoa Depende da carreira do profissional Tende a continuar além de uma pessoa
Conhecimento técnico Depende do instituidor Costuma ser limitado Alto, no que o profissional domina Alto, com equipe e processos
Risco de conflito familiar Menor Maior, se o trustee é também beneficiário ou parente de beneficiários Menor Menor
Atenção principal Quem acumula papéis mantém controle e pode perder parte da separação patrimonial Preparo para dois países e para a sucessão do próprio trustee Verificar credenciais e quem assume se ele sair Custo, distância e flexibilidade

"Famílias costumam escolher o trustee pela confiança e deixar para depois a pergunta sobre quem assume daqui a vinte anos. As duas perguntas precisam entrar na mesma conversa", observa Cristina Teixeira, CPA e TEP, cofundadora da Astride. (citação proposta, aguardando aprovação)


Posso ser trustee do meu próprio trust?

Em alguns tipos de trust, sim, mas isso tem um preço em separação patrimonial. Quando o instituidor também administra, ele mantém o controle, e o trust pode servir menos ao objetivo de separar os bens da pessoa.

O desenho depende de o trust ser revogável ou irrevogável. O artigo sobre revocable ou irrevocable trust explica essa diferença. A pergunta útil não é só se é permitido, e sim o que acontece quando o instituidor deixa de poder administrar, por doença ou por falecimento. A escritura costuma prever um trustee sucessor para esse momento.


A residência do trustee muda o tratamento fiscal?

Pode mudar, nos dois países. A residência do trustee é um dos pontos que vale conferir antes de indicar o nome.

Nos Estados Unidos

Nos EUA, o IRS classifica o trust por quem o supervisiona e por quem o controla. Segundo a página do IRS sobre classificação de contribuintes (consulta em 5 de outubro de 2026), um trust é uma United States person se um tribunal dos EUA puder exercer supervisão primária sobre a administração do trust e se uma ou mais pessoas americanas tiverem autoridade para controlar todas as decisões substanciais do trust. A mesma página inclui o trust estrangeiro entre as foreign persons, remetendo à seção 7701(a)(31) do código tributário.

Em termos simples, quem toma as decisões substanciais, entre elas o trustee, influencia como os EUA classificam o trust. Um trust estrangeiro costuma trazer obrigações de reporte próprias, como o Form 3520, que o IRS descreve como a declaração anual de transações com trusts estrangeiros e do recebimento de certos presentes estrangeiros.

No Brasil

No Brasil, o trustee é a fonte das informações fiscais do residente. A Lei 14.754/2023, art. 10, § 5º (consulta em 5 de outubro de 2026), determina que o instituidor ou o beneficiário requisite ao trustee os recursos financeiros e as informações necessárias para pagar o imposto e cumprir as demais obrigações tributárias no País. Um trustee que não organiza essas informações, ou que não responde ao pedido, cria um problema para quem mora no Brasil.

Atenção: este ponto depende dos fatos. A lei trata do trust no exterior para o residente fiscal brasileiro, e o efeito de o trustee morar no Brasil, nos EUA ou em um terceiro país exige análise individual com os dois lados em vista.


O que reunir antes de indicar o trustee

Antes de decidir, três respostas organizam a conversa:

  • Quem fica com o controle: o instituidor quer manter poder de decisão ou prefere que um terceiro decida?
  • Onde cada pessoa mora e declara: instituidor, beneficiários e trustee, no Brasil, nos EUA ou em outro país.
  • Quem assume depois: há um trustee sucessor indicado, e ele aceita a função?

Com isso em mãos, a tabela acima passa a servir como ponto de partida, e não como resposta. O artigo sobre o que definir antes de fazer um trust reúne as demais decisões em ordem.


O que muda de caso para caso

O peso de cada opção varia com o patrimônio, os países envolvidos, a idade dos beneficiários e o grau de confiança entre os familiares. Dois trusts de aparência igual podem pedir trustees diferentes.

Há arranjos comuns: um familiar como trustee com um profissional como cotrustee, ou um trustee institucional para os bens mais complexos e um familiar com poder de opinar. Nenhum serve para todos. O que muda a conta é a complexidade do patrimônio, a residência de cada pessoa e a disposição da família de pagar por estrutura.

Também importa o que acontece se o trustee falhar. A escritura pode prever quem o substitui e quem pode destituí-lo, e esses poderes pesam tanto quanto a escolha do nome.


Como a Astride atua

A Astride estrutura o trust considerando quem administra e onde essa pessoa reside, porque isso muda o tratamento fiscal. A escolha do trustee é feita junto com a análise tributária dos dois países, a escolha do tipo de trust e o desenho da sucessão.

Isso inclui a confecção do trust e a leitura de minutas já recebidas, para ver quem pode destituir o trustee, quem o substitui e quais informações ele deve entregar. O trust é uma das ferramentas sucessórias possíveis, não uma solução universal, e a primeira conversa serve para confirmar se faz sentido no seu caso.


Perguntas frequentes

Quem pode ser trustee de um trust?

Pode ser uma pessoa física ou jurídica capaz de assumir o dever fiduciário, como descreve a Lei 14.754/2023, art. 12, inciso III. Na prática, a família escolhe entre o instituidor, um familiar, um profissional independente ou uma instituição. O que o trustee pode decidir depende da escritura.

Um filho pode ser trustee?

Pode, se a escritura permitir e se ele aceitar a função. A vantagem costuma ser a proximidade e o custo menor. O cuidado é com o preparo para administrar bens em mais de um país, com a disponibilidade ao longo do tempo e com o conflito entre irmãos quando o filho é trustee e beneficiário ao mesmo tempo.

Posso ser trustee do meu próprio trust?

Em alguns tipos de trust, sim, mas o instituidor que administra mantém o controle, e isso pode reduzir a separação entre ele e os bens. Vale prever um trustee sucessor para o caso de doença ou falecimento do instituidor.

Trustee profissional ou institucional é obrigatório?

Não é obrigatório em regra, e depende da escritura e da lei que rege o trust. Costuma fazer sentido quando o patrimônio é complexo, quando há bens em vários países ou quando a família não tem alguém com tempo e preparo.

Trustee no Brasil ou nos EUA: qual é melhor?

Não existe resposta única. O IRS usa, entre os critérios de classificação, a supervisão de tribunal dos EUA e o controle das decisões substanciais por pessoas americanas, e a lei brasileira exige que o trustee forneça informações a quem mora aqui. A residência do trustee deve ser analisada com os dois países em vista.

Posso trocar o trustee depois?

Costuma ser possível se a escritura previr como o trustee é destituído e substituído. Sem essa previsão, trocar o trustee pode exigir acordo entre as partes ou decisão judicial, o que leva tempo e tem custo. Por isso o melhor momento para pensar na troca é na minuta.

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Conclusão

O trustee pode ser o instituidor, um familiar, um profissional ou uma instituição, e a escolha adequada depende do patrimônio, do controle que a família quer manter e de onde cada pessoa mora. Proximidade e custo baixo pesam a favor do familiar. Estrutura e continuidade pesam a favor do profissional ou da instituição.

Antes de escolher entre essas opções, reúna quem deve ter o controle, onde cada pessoa mora e declara, e quem assume depois. Com isso em mãos, fale com o time da Astride para uma análise que considere os dois países ao mesmo tempo, antes de indicar o trustee, porque a residência dele afeta o reporte.

Conteúdo educativo. Cada situação requer análise individual.

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