Decidiu abrir uma PIC: o que definir antes de escolher entre BVI e Bahamas
Vai abrir uma PIC e comparar BVI ou Bahamas? Defina antes os ativos, o banco ou a corretora, os sócios e a sucessão, e a escolha da jurisdição fica mais clara.
Por Cristina Teixeira, CPA, TEP, CRC
Publicado em

Antes de escolher entre BVI e Bahamas, defina quatro coisas: os ativos que a Personal Investment Company (PIC, empresa pessoal de investimentos) vai deter, o banco ou a corretora, os sócios e a sucessão. Com essas respostas, a escolha da jurisdição vira consequência, não opinião. Vale para quem já decidiu abrir uma PIC.
Este texto percorre as quatro definições, na ordem em que costumam destravar a decisão.
Atualizado em outubro de 2026.
Por que definir antes de escolher a jurisdição
Definir antes importa porque a proposta de um agente costuma começar pelo país e pelo preço, e a decisão certa começa pelo uso. Quem já está recebendo propostas de agentes em BVI e Bahamas percebe que cada uma defende a jurisdição que vende, com números que nem sempre incluem os mesmos itens.
O risco de decidir pelo preço da proposta é abrir a empresa e só então descobrir que o banco ou a corretora não a aceita, que os sócios precisam de documentos que ninguém pediu ou que a sucessão não foi pensada. Corrigir isso depois costuma dar mais trabalho do que responder às perguntas antes.
"Quando o cliente chega com a jurisdição escolhida e sem o banco definido, a conversa precisa voltar uma etapa. A ordem certa é uso, instituição, titulares e só depois o país", observa Cristina Teixeira, CPA e TEP, cofundadora da Astride.
Quais são as quatro definições antes de escolher BVI ou Bahamas?
São quatro, e a ordem importa: os ativos, a instituição que os custodia, os sócios e a sucessão. Cada resposta elimina opções, e a jurisdição fica para o fim.
- Defina os ativos que a PIC vai deter. Liste o que entra na empresa: carteira de investimentos, participações, recursos em conta. O tipo e o volume dos ativos definem o que a estrutura precisa fazer e quanto custa mantê-la.
- Defina o banco ou a corretora. Pergunte à instituição se aceita empresas da jurisdição que você considera, quais documentos pede e se exige dados do beneficiário final (a pessoa que, no fim da cadeia, controla ou se beneficia da empresa).
- Defina quem serão os sócios. Decida quem aparece como titular da PIC, qual a residência fiscal de cada um e quem assina pela empresa.
- Defina como será a sucessão. Decida o que deve acontecer com a PIC se um dos sócios falecer, e desenhe isso na titularidade desde o início.
Se ainda falta confirmar que abrir a PIC faz sentido, os sinais de que uma PIC faz sentido ajudam nessa checagem.
O que a escolha do banco ou da corretora muda na jurisdição?
A instituição tem a palavra final sobre o que aceita, e por isso a pergunta a ela vem antes da escolha do país. Cada banco e cada corretora define a própria política de abertura de conta para empresas de determinada jurisdição, e essa política muda com o tempo.
Peça a resposta por escrito: se aceita a jurisdição, quais documentos exige da empresa e dos sócios, e se pede informações do beneficiário final. Uma estrutura aceita por uma instituição e recusada por outra pode inverter a escolha entre BVI e Bahamas sem que nenhum custo mude.
Também consulte o agente registrado. Segundo a Financial Services Commission das Ilhas Virgens Britânicas (consulta em 5 de outubro de 2026), a Comissão mantém uma lista pública que inclui os Registered Agents e uma seção sobre Beneficial Ownership. Nas Bahamas, o site da Securities Commission of The Bahamas (mesma data) traz um serviço para saber se uma entidade está registrada ou licenciada e cita a lei dos prestadores de serviços financeiros e societários (Financial and Corporate Service Providers Act).
Atenção: essas páginas confirmam quem supervisiona os prestadores, não os custos nem as exigências de cada país. Esses pontos dependem de cotação e de consulta ao órgão local.
Como os ativos e os sócios entram na decisão?
Os ativos definem o que a estrutura precisa ser, e os sócios definem quem a controla e quem responde por ela. Duas PICs com a mesma jurisdição podem ter desenhos diferentes por causa desses dois pontos.
Para os ativos, a pergunta prática é onde ficarão: uma corretora americana, um banco europeu, uma carteira em mais de uma instituição. Para os sócios, a pergunta é quem são e onde moram, porque a residência fiscal de cada um define o que será declarado.
O lado brasileiro corre em paralelo e não depende da jurisdição escolhida. Segundo o Banco Central do Brasil (consulta em 5 de outubro de 2026), residentes no Brasil que detenham no exterior ativos que somem US$ 1.000.000 ou equivalente em 31 de dezembro devem entregar a declaração anual de Capitais Brasileiros no Exterior (CBE), entre 15 de fevereiro e 5 de abril do ano seguinte. A página informa multas de R$ 2.500 a R$ 250.000 para quem não declara nas hipóteses previstas. O limite vale para o conjunto dos ativos no exterior, e não só para a PIC.
Como a sucessão entra na estrutura?
A sucessão precisa ser decidida antes de abrir a PIC, porque ela se desenha na titularidade. Deixar para depois costuma significar refazer a estrutura.
Uma das formas usadas é a Joint Tenancy With Right of Survivorship (JTWROS), uma titularidade conjunta em que a participação do titular que falece passa ao sobrevivente. Ela não serve para todos os casos, e a adequação depende da composição da família, da residência dos herdeiros e das regras de cada país.
Se a conversa sobre sucessão ainda não aconteceu em família, ela precisa vir antes da escolha da jurisdição, e não depois. O guia de offshore, PIC e estruturas internacionais organiza o tema.
Como as quatro definições ajudam a escolher entre BVI e Bahamas?
Com as quatro respostas, a comparação entre as jurisdições passa a ter critério. A tabela mostra o que cada definição decide e a pergunta que você leva ao agente.
| Definição | O que ela decide | Pergunta ao agente |
|---|---|---|
| Ativos | Tipo de estrutura e custo de manutenção | O que está incluído na renovação anual, em cada jurisdição? |
| Banco ou corretora | Quais jurisdições são viáveis | A instituição aceita empresas de BVI? E de Bahamas? Por escrito? |
| Sócios | Documentos, assinaturas e obrigações de cada um | Quais documentos cada sócio precisa apresentar? |
| Sucessão | Desenho da titularidade | Como a titularidade escolhida lida com o falecimento de um sócio? |
Para uma comparação entre as duas jurisdições em si, veja os critérios que realmente mudam a decisão.
O que muda de caso para caso
O peso de cada definição varia com a composição dos ativos, a política da instituição, a residência fiscal dos sócios e a família. Dois investidores com PICs parecidas podem chegar a jurisdições diferentes.
Em um exemplo ilustrativo, uma pessoa quer uma PIC para investir em uma corretora americana que só aceita empresas de uma das jurisdições. Para ela, a pergunta sobre a instituição já decidiu o país, e o preço da proposta passa a ser comparação entre agentes, não entre jurisdições. Em outro exemplo ilustrativo, a pessoa ainda não escolheu a instituição: a ordem correta é escolher primeiro a instituição, depois a jurisdição.
Atenção: este texto não recomenda BVI nem Bahamas. Ele organiza as perguntas, e a conclusão para o seu caso exige olhar os fatos. Também não afirma que uma PIC reduz impostos ou protege patrimônio, porque isso depende do uso e da situação de cada pessoa.
Como a Astride atua
A Astride constitui a PIC na jurisdição adequada ao caso e cuida da manutenção anual. Antes de indicar o país, ela prefere definir uso, banco e sócios, que são as perguntas deste texto.
A oferta inclui a abertura e a manutenção da PIC em BVI ou Bahamas, conforme o caso, com desenho de sucessão via JTWROS quando ele se aplica. A análise considera Brasil e Estados Unidos ao mesmo tempo, porque a estrutura repercute no que o cliente declara em cada país. A adequação depende dos fatos de cada família.
Perguntas frequentes
O que preciso definir antes de abrir uma PIC?
Quatro coisas: os ativos que a empresa vai deter, o banco ou a corretora onde ficarão, quem serão os sócios e como será a sucessão. Com essas respostas, a escolha entre BVI e Bahamas costuma ficar mais simples.
Devo escolher a jurisdição antes do banco?
Costuma ser o contrário. A instituição define quais empresas aceita, e uma jurisdição recusada por ela deixa de ser opção. Pergunte primeiro à instituição, por escrito, e escolha o país depois.
Posso abrir uma PIC sem ter definido a sucessão?
Pode, mas a sucessão se desenha na titularidade, e deixá-la para depois costuma exigir refazer a estrutura. É melhor conversar sobre isso antes de constituir a empresa.
O que levar para a primeira conversa sobre abrir uma PIC?
Leve a lista de ativos que a empresa vai deter, o banco ou a corretora que você pretende usar, os dados dos sócios e a ideia de como quer a sucessão. Com isso, a conversa começa pelos fatos e não por uma jurisdição pré-definida.
Abrir uma PIC dispensa a declaração no Brasil?
Não. Quem é residente fiscal no Brasil continua com obrigações de declaração, e a PIC não torna os ativos invisíveis. Ativos no exterior acima de certo valor ainda podem exigir a declaração de Capitais Brasileiros no Exterior ao Banco Central, conforme o enquadramento.
Leia também
- Guia de offshore, PIC e estruturas internacionais
- BVI ou Bahamas para a sua offshore: critérios que realmente mudam a decisão
- Vale a pena abrir uma offshore? Sinais de que uma PIC faz sentido
- Offshore em BVI ou Bahamas: por que essas duas jurisdições aparecem tanto para brasileiros
Conclusão
Quatro definições organizam a escolha da PIC: os ativos, o banco ou a corretora, os sócios e a sucessão. Com elas, BVI ou Bahamas deixa de ser opinião sobre a jurisdição e vira consequência do uso.
Se você já decidiu abrir a PIC, o próximo passo é uma conversa com quem enxerga Brasil e Estados Unidos em conjunto. Fale com o time da Astride e leve os ativos que a PIC vai deter, o banco ou a corretora pretendido, os sócios e como você quer a sucessão: é o suficiente para começar.
Conteúdo educativo. Cada situação requer análise individual.
